domingo, 2 de outubro de 2011

Esses dias

Esses dias,
Me lembrei de ti,
Nas minhas orações.

Com muito zelo,
Gentilmente pedi,
Pedi, pedi,
Com muito zelo,
Gentilmente,
Pedi por ti.

Esses dias,
Me lembrei de ti,
Nas minhas orações.

Pedi a Deus,
Que lhe desse a chuva,
Que rega tuas colheitas.
Pedi a Deus,
Que lhe fizesse feliz,
Feliz, feliz,
Pedi a Deus,
Que lhe fizesse feliz,
Feliz.

Esses dias...

Esses dias,
Me lembrei de ti,
Nas minhas orações.

Com muito critério também,
Eu pedi,
Pedi, pedi,
Com muito critério também,
Eu pedi por ti.

Que Deus lhe desse,
Sempre o dia,
Que conserva,
A tua vida,
Que possibilita,
O andar de seus passos,
O dia,
Que levanta teus vôos.

Pedi, pedi...

Esses dias,
Me lembrei de ti,
Nas minhas orações.

Cuidadosamente então,
Eu pedi,
Pedi, pedi,
Cuidadosamente então,
Eu pedi por ti.

Que Deus lhe desse,
Todas as cores,
Que enobrecem,
A tua alma,
Pode ser cor,
De amor,
De felicidade,
De preguiça,
Que Deus lhe desse,
De todas elas,
Um pouquinho,
Para que pudesses,
Pintar do mundo,
Cada cantinho,
Num emaranhado,
De cores sem fim.

Pedi, pedi...

Esses dias,
Me lembrei de ti,
Nas minhas orações.

Pedi a Deus,
Que lhe fizesse feliz,
Feliz, feliz,
Pedi a Deus,
Que lhe mantivesse,
Muito feliz.

Esses dias...

domingo, 25 de setembro de 2011

Sobretudo uma idéia

Mais sozinha do que eu,
Só a minha própria sombra,

Mais ácida do que eu,
Só duas de mim,

Mais cruel do que eu,
Só o meu próprio mundo,

Mais cinza do que a minha alma,
Só a minha inspiração,

Mais cego do que o ser humano,
Só dois de seus pares,

Mais só,
Mais ácido,
Mais cruel,
Mais cinza,
Mais cego,
Só o próprio fundamento,
Só o próprio chão,
De onde brotam as raízes,

Mais sozinha do que eu,
Só uma idéia,
Você acredita nela?

terça-feira, 15 de março de 2011

Barquinho

Passou por mim,
Sim,
Passou, deixou, saiu,
Como passa a chuva,
Como o vento leva a folha seca,
Ele passou por mim.

Barquinho que correndo ao longe,
Cada vez menor na paisagem,
Sumiu,
Virou tão belo azul do mar.

Já não o vejo,
Somente as ondas para lá e para cá,
Agitando sonhos,
Suscitando visões,
Barquinho passou.

Na imaginação de um adulto,
Se ouviu a criança entusiasmada,
À beira da praia a perguntar:
Para onde ele foi?
Pode ter caído do outro lado?
O que há de haver depois daquele mar,
Até onde meus olhos podem alcançar?

Barquinho passou,
Numa vida que passa,
Barquinho deixa ondas,
Ondas não sabem aonde,
Vão nos levar.

Passou a história para o longe,
Jamais há de passar este mar,
Continue a remar.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Enquanto me lembro

Enquanto me lembro de você,
Vejo a minha vida vazia,
Vazia de crenças e sonhos,
Velha e empoeirada.

Enquanto desisto,
Ainda resisto em aceitar o igual,
Ao ver que o de agora,
Ainda será o de antes,
Que entre querer ser e ser,
Existe um abismo profundo,
Do eu e do outro.

Enquanto o coração enche de choro,
Enquanto o rosto enche de lágrima,
Enquanto o semblante enche de ira,
Veja-se o mundo na sua mais pura realidade.

Realidade que me faz assim,
Ao saber que esta vida por agora,
Ainda não será diferente,
Que o novo ainda está encoberto,
Que o novo ano ainda nada inaugura.

A vida que começa celebra a velha,
O novo ano se converte em velho,
Se converte em esperança em inércia.

Enquanto insisto,
Ao conformismo à esta realidade,
Me lembro de você.

Enquanto meu coração,
Reclama pelo novo,
Me lembro de você.

Enquanto sinto,
Meu mundo me afligir,
Me lembro só de você.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Solidariedade a todas as amantes

Admirável é,
A rotina e os sentimentos observados,
Na vida das amantes.

Sempre disponíveis,
Sempre excitadas,
Sempre invisíveis,
Jamais consultadas,
As amantes.

E como deve ser viver no oculto?
Como deve ser viver de anonimato?
Como deve ser existir no mundo do outro como uma figura líquida?

E como deve ser viver na mentira?
Como deve cansá-las construir as inverdades que cobrem as verdades?
Como deve ser viver duas vidas numa só?

E como deve ser não poder assumir o eu, o eu no outro?
Como a neurose pode ser possível em razão do mero sentimento?
Como deve ser possível sentir-se amante.

Pobres amantes,
Admirável é o seu mundo de ilusão,
A constante construção da fantasia,
Que intenta assegurar o status de realidade.

Miseráveis amantes,
Por causa da desgraça da Esperança que é a última que morre,
Continuam a assim viver, continuam a esperar e crer,
Por causa da esperança que as move,
Continuam a viver,
Como se estivessem a morrer.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Da síndrome do idiotismo social

Se descobrires que és um idiota,
Tens apenas duas coisas a fazer:
Regresse e amadureça os últimos de seus pensamentos,
Ou comece comprando roupas que agora lhe servem.
Todo grande idiota necessita de um vasto repertório.

Regozijo

O coração que amadurece,
Permanece leve,
Permanece livre,
Nunca adoece,
Não se esquece de esperar,
De perseverar.

Meu coração amadurece,

A cada interação neste mundo fechado,
A tantos sentimentos calados,
Amadurece para ser.

Matemos pois, a subjetividade que em parte nos aflige,

Para ver o que se pode ganhar,
Para achar o que se pode encontrar.

Meu coração amadurece,

Contra o meu eu,
A favor do teu,
A favor do nosso.

Doendo ao ver,

Que não se é aquilo que se espera,
Que se deve matar a subjetividade que nos encerra.

Ampliar inquieta,

Analisar é impaciência,
Contrapor irrita,
Flexibilizar é dolorido,
Repensar cansa.

Amadurecer o já amadurecido é sempre regozijo.