Passou por mim,
Sim,
Passou, deixou, saiu,
Como passa a chuva,
Como o vento leva a folha seca,
Ele passou por mim.
Barquinho que correndo ao longe,
Cada vez menor na paisagem,
Sumiu,
Virou tão belo azul do mar.
Já não o vejo,
Somente as ondas para lá e para cá,
Agitando sonhos,
Suscitando visões,
Barquinho passou.
Na imaginação de um adulto,
Se ouviu a criança entusiasmada,
À beira da praia a perguntar:
Para onde ele foi?
Pode ter caído do outro lado?
O que há de haver depois daquele mar,
Até onde meus olhos podem alcançar?
Barquinho passou,
Numa vida que passa,
Barquinho deixa ondas,
Ondas não sabem aonde,
Vão nos levar.
Passou a história para o longe,
Jamais há de passar este mar,
Continue a remar.
terça-feira, 15 de março de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Enquanto me lembro
Enquanto me lembro de você,
Vejo a minha vida vazia,
Vazia de crenças e sonhos,
Velha e empoeirada.
Enquanto desisto,
Ainda resisto em aceitar o igual,
Ao ver que o de agora,
Ainda será o de antes,
Que entre querer ser e ser,
Existe um abismo profundo,
Do eu e do outro.
Do eu e do outro.
Enquanto o coração enche de choro,
Enquanto o rosto enche de lágrima,
Enquanto o semblante enche de ira,
Veja-se o mundo na sua mais pura realidade.
Realidade que me faz assim,
Ao saber que esta vida por agora,
Ainda não será diferente,
Que o novo ainda está encoberto,
Que o novo ano ainda nada inaugura.
A vida que começa celebra a velha,
O novo ano se converte em velho,
Se converte em esperança em inércia.
Enquanto insisto,
Ao conformismo à esta realidade,
Me lembro de você.
Enquanto meu coração,
Reclama pelo novo,
Me lembro de você.
Enquanto sinto,
Meu mundo me afligir,
Me lembro só de você.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Solidariedade a todas as amantes
Admirável é,
A rotina e os sentimentos observados,
Na vida das amantes.
Sempre disponíveis,
Sempre excitadas,
Sempre invisíveis,
Jamais consultadas,
As amantes.
E como deve ser viver no oculto?
Como deve ser viver de anonimato?
Como deve ser existir no mundo do outro como uma figura líquida?
E como deve ser viver na mentira?
Como deve cansá-las construir as inverdades que cobrem as verdades?
Como deve ser viver duas vidas numa só?
E como deve ser não poder assumir o eu, o eu no outro?
Como a neurose pode ser possível em razão do mero sentimento?
Como deve ser possível sentir-se amante.
Pobres amantes,
Admirável é o seu mundo de ilusão,
A constante construção da fantasia,
Que intenta assegurar o status de realidade.
Miseráveis amantes,
Por causa da desgraça da Esperança que é a última que morre,
Continuam a assim viver, continuam a esperar e crer,
Por causa da esperança que as move,
Continuam a viver,
Como se estivessem a morrer.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Da síndrome do idiotismo social
Se descobrires que és um idiota,
Tens apenas duas coisas a fazer:
Regresse e amadureça os últimos de seus pensamentos,
Ou comece comprando roupas que agora lhe servem.
Todo grande idiota necessita de um vasto repertório.
Tens apenas duas coisas a fazer:
Regresse e amadureça os últimos de seus pensamentos,
Ou comece comprando roupas que agora lhe servem.
Todo grande idiota necessita de um vasto repertório.
Regozijo
O coração que amadurece,
Permanece leve,
Permanece livre,
Nunca adoece,
Não se esquece de esperar,
De perseverar.
Meu coração amadurece,
A cada interação neste mundo fechado,
A tantos sentimentos calados,
Amadurece para ser.
Matemos pois, a subjetividade que em parte nos aflige,
Para ver o que se pode ganhar,
Para achar o que se pode encontrar.
Meu coração amadurece,
Contra o meu eu,
A favor do teu,
A favor do nosso.
Doendo ao ver,
Que não se é aquilo que se espera,
Que se deve matar a subjetividade que nos encerra.
Ampliar inquieta,
Analisar é impaciência,
Contrapor irrita,
Flexibilizar é dolorido,
Repensar cansa.
Amadurecer o já amadurecido é sempre regozijo.
Permanece leve,
Permanece livre,
Nunca adoece,
Não se esquece de esperar,
De perseverar.
Meu coração amadurece,
A cada interação neste mundo fechado,
A tantos sentimentos calados,
Amadurece para ser.
Matemos pois, a subjetividade que em parte nos aflige,
Para ver o que se pode ganhar,
Para achar o que se pode encontrar.
Meu coração amadurece,
Contra o meu eu,
A favor do teu,
A favor do nosso.
Doendo ao ver,
Que não se é aquilo que se espera,
Que se deve matar a subjetividade que nos encerra.
Ampliar inquieta,
Analisar é impaciência,
Contrapor irrita,
Flexibilizar é dolorido,
Repensar cansa.
Amadurecer o já amadurecido é sempre regozijo.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Not that strong
I’d like to be strong as a rock,
I’d like to be convinced as a fanatic one,
I’d like to be strong,
Oh that strong!
I’d like to be great as a sun in the morning,
I’d like to be powerful like a rough wind,
But I’m not that strong honey,
Not that strong,
I’m just crashing,
And I know that I’m not that strong,
Not that strong honey,
Never that strong,
In my weakness maybe you’ll find my strength,
Never that strong.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Eu o sou
Eu o sou,
O mais estranho dos seres,
O mais complexo inimaginável,
Portanto, ridículo, impensável,
Não identificável com o geral,
Com o normal,
Com o comum e o usual.
Eu o sou,
O mais mísero dos seres,
Por não acompanhar esta marcha,
Por induzir a rechaça,
Por não dançar a dança dos iguais,
Não a danço.
Por agir como se não houvesse,
E jamais pudesse haver alguém,
Tão desigual aos iguais,
Tão estranho àqueles outros,
Eu o sou.
Eu o sou,
Normal demais,
Para ser real,
Equilíbrio demais,
Para ser normal,
Diferente demais para viver,
No meio dos iguais,
Eu o sou.
O mais estranho dos seres,
O mais complexo inimaginável,
Portanto, ridículo, impensável,
Não identificável com o geral,
Com o normal,
Com o comum e o usual.
Eu o sou,
O mais mísero dos seres,
Por não acompanhar esta marcha,
Por induzir a rechaça,
Por não dançar a dança dos iguais,
Não a danço.
Por agir como se não houvesse,
E jamais pudesse haver alguém,
Tão desigual aos iguais,
Tão estranho àqueles outros,
Eu o sou.
Eu o sou,
Normal demais,
Para ser real,
Equilíbrio demais,
Para ser normal,
Diferente demais para viver,
No meio dos iguais,
Eu o sou.
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