sábado, 8 de maio de 2010

Retrato irreal

Vi os teus sapatos jogados à beira do caminho,
Vi o teu ser despojado,
Pleno em esperança,
Respaldado em lembranças.

Você em uma praia vazia,
Deserta e intensamente fria.

Vê-se um homem distinto,
Alguém sozinho de passagem,
Alguém sem verbo,
Desenhado na miragem.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Standby

Quando a ignorância te faz esperar um sinal, que os deuses decidam por você,
Que eles profiram a tua sentença;

Revela-se tua própria intolerância em levar o peso do próprio mundo nas costas,
Em desenhar o próprio mundo, em refazer a própria sorte.
Eis que dormem os deuses. Tu vais acordar?

quinta-feira, 25 de março de 2010

Poeta sem poesia

Não me despeço de ti,
Preciso da tua ilusão,
Anseio possuir os teus versos,
Dominar tua canção.

Nunca te deixo de vez,
Bebo da tua fantasia,
Ainda penso em ti, ainda me inspiro em ti,
Oh, pobre de mim,
Preciso de ti poesia.

Não me abandones a mente,
Assim me fazes demente,
Poeta de mixaria, poeta sem poesia.

Fiquei poeta sem poesia,
Poeta a se arrepender.
Casei contigo,
Te traí com o Direito,
E agora não mais te consigo escrever.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

2010

Olho meu saudosismo,
Controlo meu ceticismo,
Enquanto a chuva cai, enquanto a chuva vai.

Toco o coração,
Sinto meu ego gozando de satisfação,
Enquanto a chuva cai, enquanto a chuva vai.

Vejo sofrimento,
De longe um canto, um lamento,
Enquanto a chuva cai, enquanto a chuva vai.

Penso em você,
Sem razão, sem porquê,
Enquanto a chuva cai, enquanto a chuva vai.

Onde tudo termina,
A novidade se aproxima,
Chove esperança.

Chove esperança,
Enquanto a chuva cai, enquanto a chuva vai...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Indefinido II

Se eu não pudesse ter você,
Eu diria que você é o meu padrão,
Eu diria que você é um modelo esculpido dentro da minha mente,
E como pode ser?

Se eu não pudesse ter você,
Eu recitaria esse verso,
Eu sussurarria sobre a sua pele,
Que você é um modelo,
De tudo o que se pode querer.

Eu me aproximaria com os lábios,
Nós não deixaríamos de entender,
Quem pode amar o que não vê?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Indefinido I

Você surge como num sonho,
Eu pintei esse sonho,
Eu manipulei seus aspectos,
Eu manipulei meu coração,
E era realidade, forjada, implícita, indefinida.

Tudo se foi até a poesia,
Você me tira tudo,
Você me faz bem,
Você me faz mal,
Você me faz.

Um universo medíocre criei pra nós dois,
Eu esperava mais,
Mas, você é pouco,
Você é tolo.

Estou viciada,
Entorpecida pelo seu descaso,
Pelo seu sutil afeto,
Pelo seu desassossego.

Eu posso te deixar maluco, alienado,
Não confie em nada que vê,
Você é pouco,
Você é tolo.

Você é um presente que vem com o preço da loja,
É tão fútil, é tão inútil,
Eu quero abrir e eu vou,
E você sabe.

Você tem medo,
Ainda treme como vara verde,
Na sua falsa confiança,
Você só tem mesmo esperança,
Seu coração está explodindo como uma supernova no céu,
Que cai direto e completo em mim.

Eu não sou prepotente,
Eu estou consciente,
De que você é pouco,
Você é tolo,
Você tem medo de se perder,
Eu tenho medo de me surpreender.

sábado, 14 de novembro de 2009

Correr a vida

Correr contra o tempo,
Contra mim mesmo,
Correr, correr contra você.

Correr no verde, no rumo do céu,
Brigar com o vento,
Dissipa meus pensamentos,
Leva pra longe os meus passos.


Quero correr pra te seguir,
Correr pra ver o mundo,
Correr pra ver tudo,
Correr pra crer.


Correr com você,
Não quero me prostrar,
Não quero repouso pra deitar.


Quero correr no teu rastro,
Correr a vida,
Correr pra vida não parar,
Correr pra essência não morrer.