terça-feira, 22 de julho de 2014

Vinho

Estamos envelhecendo juntos,
Envelhecendo cedo;
Rindo das bobagens que fizemos,
Dos amores que não tivemos;
Equilibrando-nos nas consequências que escolhemos,
Existência de que padecemos.

Abrindo novos caminhos,
Vendo nosso inabalável cair no infinito,
Tudo isso,

Naquela mesma garrafa de vinho.

Consciência e Redenção

A súbita lucidez da consciência,
Que te flecha,
E logo te refaz,
É a chamada divina sapiência,
A divergência das ações e dos discursos,
A coerência do passado e dos teus rumos,
Não há lugar para indulgências,
Só consciência e redenção.

Tua conversão em outro sermão,
Tua mudança em outro padrão,
Toda redenção é poderosa,
Para quebrar o mais forte grilhão.

Os julgamentos alheios são só repressão,
Nada pode retirar-te o poder de refazer a tua ciência,
De regressar ao profundo da tua essência,
Não se trata de fraqueza, mas, fortaleza,
De redimir-te frente à tua própria consciência.


Aleatoriedades

Deixa eu escrever na tua linha,
Deixa você cruzar na minha esquina,
Deixa eu esbarrar na tua fila,
Aleatoriedades.

Faz história,
Faz final de semana de sol, de memória,
Faz comigo,
Faz amigo,
Faz saudades,
Aleatoriedades.

Mal da tua sociedade,
Mal da distância das fronteiras,
Mal da tua natureza desordeira,
Mal da idade,
Aleatoriedades.

Deixa o teu pouco comigo,
Reparto em outras linhas e cidades,
Aprendo e reinvento,
Alteridade.

O caos dos dias passa como o vento,
Velocidade Tempo,
Alteridade Outro,
Aleatoriedade Encontro,
Universalidade Todos,
Unicidade Escopo,


Aleatoriedades.

Rush

Ouço Rush e penso nele,
Rosto disforme na aurora,
Cabelo de anjo no sol da demora,
Meu vinil dourado,

Meu coração acossado.

Não dorme leãozinho

Não dorme Leãozinho,
Deixa que orvalho da madrugada,
Regue tua boca macia,
Deixa o calor desses fôlegos,
Suar os teus olhos de gato.

Não dorme Leãozinho,
Deixa que os Beatles esperem,
Deixa que a selva desperte,
Deixa soar teu rugido,

Cada vez mais alto.

Somos todos idiotas

No olhar vacilante,
Nos passos hesitantes,
No beijo perdido,
No pensamento não dito,
A semelhança entre nós,
Somos todos idiotas.

Naquela falta de fazer o que se quer,
Na oportunidade que o tempo te requer,
Evitamos o que procuramos,
Pretexto de que nunca encontramos,
Comungamos,
Sendo todos idiotas.

No olhar desviado,
No cumprimento ignorado,
Na incompletude do ser,
Não há meio-termo de vida,
Apenas contagem,
Um tic-tac das apostas,
Uma finitude para nos fazer,

Menos idiotas.

Desabotoadura

Risquei teu nome,
Substituí o homem,
Por uma Interrogação.

Deixei lacuna,
Desabotoadura,
Abri fresta,
No meu Coração.

Campo em branco,
Para completar um tanto,
Da tua Afirmação?

Querido,
Os loucos também amam,
Se inflamam,
Mas, não esperam,
Pela tua resolução,

Pela tua Aprovação.