terça-feira, 22 de julho de 2014

Rush

Ouço Rush e penso nele,
Rosto disforme na aurora,
Cabelo de anjo no sol da demora,
Meu vinil dourado,

Meu coração acossado.

Não dorme leãozinho

Não dorme Leãozinho,
Deixa que orvalho da madrugada,
Regue tua boca macia,
Deixa o calor desses fôlegos,
Suar os teus olhos de gato.

Não dorme Leãozinho,
Deixa que os Beatles esperem,
Deixa que a selva desperte,
Deixa soar teu rugido,

Cada vez mais alto.

Somos todos idiotas

No olhar vacilante,
Nos passos hesitantes,
No beijo perdido,
No pensamento não dito,
A semelhança entre nós,
Somos todos idiotas.

Naquela falta de fazer o que se quer,
Na oportunidade que o tempo te requer,
Evitamos o que procuramos,
Pretexto de que nunca encontramos,
Comungamos,
Sendo todos idiotas.

No olhar desviado,
No cumprimento ignorado,
Na incompletude do ser,
Não há meio-termo de vida,
Apenas contagem,
Um tic-tac das apostas,
Uma finitude para nos fazer,

Menos idiotas.

Desabotoadura

Risquei teu nome,
Substituí o homem,
Por uma Interrogação.

Deixei lacuna,
Desabotoadura,
Abri fresta,
No meu Coração.

Campo em branco,
Para completar um tanto,
Da tua Afirmação?

Querido,
Os loucos também amam,
Se inflamam,
Mas, não esperam,
Pela tua resolução,

Pela tua Aprovação.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dream Boy

Tira essa ideologia emprestada,
Essa crosta "descolada",
Ser sozinho não é "hipster",
Não é "cult", não é "cool",
É peso na tua alma.

Tire os teus falsos ídolos desse santuário,

Tira essa camisa de estampa Andy Wahrol,
Por dentro é só um menino,
Procurando seu trenó,
Querendo brincar,
Por dentro é só um menino,
Procurando o seu "rosebud",
Queimando para amar.

Ah, que piegas o amor!

 Despe a tua auto-suficiência,
Desce o altar da tua independência,
É ela quem te aquece à noite?
Alívio constante na doença?

É bem mais óbvio do que parece,

Menino, o amor não é eloquente,
Aquilo que é vivo se relaciona,
Aquilo que é vivo intenciona,
Conhecer além de seus campos de força,
É o outro,
O pouco,
Que vale,

Viver.

David Hockney

Seu coração sem forma e vazio,
Sua experiência decadente de ser-humano,
E a tua resignação:
Tudo é teu amor impossível.

Amor impossível por si mesmo,
Amor impossível pelo objeto do desejo,
Amor impossível por qualquer coisa inventada com nome de humano.

Tudo é teu amor impossível,
Você não pode concretizar,

Amor impossível pelo "transcendente-metafísico",
Amor impossível por qualquer "cultura racional",

Tudo é teu amor impossível,
Ama sem saber se será amado,
Crê sem provar que estarão lá por você,
Joga os dados sem calcular o risco,
Vive teu amor impossível.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

"Humano-insaciedade"

Essa é a tua humanidade:
É ser equilibrista na corda-bamba,
Paraquedista no meio dessa ciranda;

Esse é o teu bangee-jump diário,
Na selva de pedra,
No próximo semáforo.

Esse é o teu frio na espinha,
Um passo em falso,
Não finda essa subida.

E é simples assim, o salário da vida,
Um “vale a pena viver”,
Um “vale a pena sonhar,
Um “vale a pena sofrer”,
“Ficar aqui pra apostar”.

 No final das contas,
É um vale a pena qualquer coisa,
Pois é a tragicomédia da vida...
É a tua humanidade...
É a tua liberdade...?

 Acaba assim essa nossa “humanidade”:
Teu contentamento descontente,
Teu frisson de insaciedade.