quinta-feira, 19 de abril de 2012

Joga

Joga no esquecimento,
O teu murmúrio,
Joga no esquecimento,
Esse zumbido do mundo.



Joga no esquecimento,
O bolso furado,
A pele que enruga,
A água que acaba,
O cabelo que cai.


A bomba,
A regra,
O anúncio de guerra,

A ira dos deuses,
E aquela força,
Que aos poucos se esvai.


Joga no esquecimento,
Aquela vontade de amor,
Amor, amor,
Meu amor,
Te jogo no tempo que vai.


Joga no esquecimento,
No canto da casa,
Na esquina da rua,
No acaso ou no mar.

Joga no tempo,

Mantendo a esperança,
Jogada na lembrança,
Deste esquecimento,
Que certamente,
Um dia reencontrarás.

quinta-feira, 1 de março de 2012

E eu me sinto só,
Como um oásis num deserto,
Como um horizonte,
Num inverso sem fim,
Sem par,
Só,

E eu te sinto só,
Como um raio,
Que corta o mundo,
Como um rastro,
Que se espraia no chão,
Como quem anda com pressa,
Em busca do destino,
Só,


Eu sinto um mundo só,
Tão partido,
Tão individuo,
Te sinto, mundo,
Quão Narciso,
E sinto muito,
Por ti,
Só,


E assim,
Sou eu para ti,
Como um oásis,
Num deserto,
Sou eu para ti,
Um oásis em teu deserto,
Só.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Saudoso

Saudoso mundo em que vivo,
Saudoso dia antigo,

Do dia em que um amor eu saudei,
Do dia em que sozinho eu andei,

Saudoso mundo em que vivo,
Saudoso, saúdo um dia de saudade.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Modernos

Por que,
Por que a vida é,
Por que ora existe,
Ora desiste de ser,

Por que,
Por que a vida é.

Por que,
Por que a vida quer,
Por que ora deseja,
Ora repulsa,
Credora de si mesma,
Guerra do ser.

Por que,
Por que a vida é.

Esta bela antítese,
Desde sempre existe para não existir,
Marca o paradoxo metafísico,
De uma existência compartida,
Entre o sim e o não.

Tão logo,
O poeta não mais fala,
De ser ou não ser,
A antítese existe,
Para encontrar nela,
Sua tese.

Por que,
Por que a vida é.
O que,
O que da existência?

Nela te reconheces,
Dela tu me perguntas,
E eu te respondo,
Porque tu pensas em horas
Que este vil relógio que tanto olhas,
Não pode contar?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Hoje


Firma teus passos em todos os teus caminhos,
Segue no encalço da esperança,
Que a felicidade seguirá a ti mesmo,
Como um irmão que anda ao lado,
Compartilhando do caminho.

domingo, 2 de outubro de 2011

Esses dias

Esses dias,
Me lembrei de ti,
Nas minhas orações.

Com muito zelo,
Gentilmente pedi,
Pedi, pedi,
Com muito zelo,
Gentilmente,
Pedi por ti.

Esses dias,
Me lembrei de ti,
Nas minhas orações.

Pedi a Deus,
Que lhe desse a chuva,
Que rega tuas colheitas.
Pedi a Deus,
Que lhe fizesse feliz,
Feliz, feliz,
Pedi a Deus,
Que lhe fizesse feliz,
Feliz.

Esses dias...

Esses dias,
Me lembrei de ti,
Nas minhas orações.

Com muito critério também,
Eu pedi,
Pedi, pedi,
Com muito critério também,
Eu pedi por ti.

Que Deus lhe desse,
Sempre o dia,
Que conserva,
A tua vida,
Que possibilita,
O andar de seus passos,
O dia,
Que levanta teus vôos.

Pedi, pedi...

Esses dias,
Me lembrei de ti,
Nas minhas orações.

Cuidadosamente então,
Eu pedi,
Pedi, pedi,
Cuidadosamente então,
Eu pedi por ti.

Que Deus lhe desse,
Todas as cores,
Que enobrecem,
A tua alma,
Pode ser cor,
De amor,
De felicidade,
De preguiça,
Que Deus lhe desse,
De todas elas,
Um pouquinho,
Para que pudesses,
Pintar do mundo,
Cada cantinho,
Num emaranhado,
De cores sem fim.

Pedi, pedi...

Esses dias,
Me lembrei de ti,
Nas minhas orações.

Pedi a Deus,
Que lhe fizesse feliz,
Feliz, feliz,
Pedi a Deus,
Que lhe mantivesse,
Muito feliz.

Esses dias...

domingo, 25 de setembro de 2011

Sobretudo uma idéia

Mais sozinha do que eu,
Só a minha própria sombra,

Mais ácida do que eu,
Só duas de mim,

Mais cruel do que eu,
Só o meu próprio mundo,

Mais cinza do que a minha alma,
Só a minha inspiração,

Mais cego do que o ser humano,
Só dois de seus pares,

Mais só,
Mais ácido,
Mais cruel,
Mais cinza,
Mais cego,
Só o próprio fundamento,
Só o próprio chão,
De onde brotam as raízes,

Mais sozinha do que eu,
Só uma idéia,
Você acredita nela?